segunda-feira, 22 de junho de 2009

Confissões de um calouro

(Nos idos de 2006, uma versão um tanto quanto irreverente e preliminar do que eu hoje levo a sério e em definitivo...)
Não sei se há norma, no ordenamento jurídico vigente no Brasil, que estabeleça qualquer determinação acerca da capacidade de apaixonar-se inerente à raça humana. Em caso afirmativo, duvido de seu caráter cogente. "Amar alguém e não ter correspondido esse amor. Pena - solidão, por tempo indeterminado." Já pensou? Se assim estivesse posto, restaria fácil perceber o que obriga uns de nós a envolvimento tal que nos incline a exigir reciprocidade.
Tendo considerado o exposto, segue-se o inventário de meus amores e paixões: quanto aos Processos, Civil e Penal, confesso que não os conheço muito bem e, até por isso, não tenho muito interesse, embora devesse; o Direito Constitucional, a despeito de seu ar um tanto quanto sisudo, cativa-me, chama a minha atenção, flerta comigo... e que não seja declarada a inconstitucionalidade desse flerte!; nutro um notável carinho pelo Direito Administrativo, todavia, meu excessivo ciúme consubstancia vício capaz de tornar nulo esse amor, já que não me consigo conformar com as prerrogativas atinentes à Administração Pública; o Direito penal, minha "dama de vermelho", me arrebata, me transtorna, me sugere loucuras... pena que se faz de difícil, apesar de sua nuance "mulher de vida fácil"... e que não me seja imputado qualquer crime de opinião; finalmente, meu grande amor, o Direito Civil, que me fez conhecer minha condição de relativamente incapaz, um pródigo para assuntos do coração... que me fez crer que não sou sujeito de direito algum, e sim, mero objeto de relação jurídica, bem reciprocamente considerado, seguidor da sorte ou azar do principal... e cuja atividade prática me ensinou a jamais tentar reconciliar um casal quando o cônjuge do sexo forte e cruel, o feminino, disser "não"... ou simplesmente não disser.
Lastimo ter que admitir, afinal, que em desrespeito à norma fictícia aventada acima, devo ser punido na estrita medida legal: não sou réu primário, há circunstâncias que qualificam o crime, sou reincidente... que minha merecida punição cumpra, ao menos, sua função desencorajadora e educativa, se não perante os demais, diante de mim.
E que ao término do cumprimento da pena eu esteja plenamente reabilitado, apto mais uma vez para o convívio em sociedade. E que não me atribuam a discriminatória e pejorativa alcunha de "ex-amante".

terça-feira, 26 de maio de 2009

Memória

Quando me propus a divagar por aqui, clara havia permanecido a intenção de fazê-lo eu mesmo. A idéia, ao menos como concebida originalmente, era recorrer tão-somente o mínimo indispensável e irresístivel a manifestações da criatividade alheia.
Mínimo "indispensável e irresístivel". Atentem bem ao que as aspas abraçam. Acredito mesmo que só se deva lançar mão de citações quando aquilo que se quer dizer, exatamente aquilo, já foi tão suficientemente bem dito que não se pode obstar a sua reprodução pura e simples. É até mesmo uma questão de justiça. Dar a cada um o que lhe cabe.
Neste caso específico, ao literato, todo o reconhecimento e aplauso.
"Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o ouvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão."
(Carlos Drummond de Andrade)


Indispensável e irresístivel.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Hoje eu vim falar de um sonho...


Dizem que a gente só deve fazer as coisas que tem vontade. Isso em razão de uma espécie de soberania individual que nos faria autônomos e independentes. Você também já deve ter ouvido por aí alguma coisa a respeito. "Nós somos responsáveis pelas nossas escolhas!" E pelas consequências delas advindas, certamente.


Hoje eu vim falar de um sonho... mas o que eu queria mesmo, com todas essas minhas parcas forças e limitados recursos, o que eu queria verdadeiramente era sair espalhando impropérios por aí. Palavrões de todas as espécies, soltos, coligados, sinto-me capaz até de inventar uns bons. O que eu queria mesmo era arremessar essa droga de computador na parede mais próxima, desde que isso me algemasse as mãos. Não! As mãos não. Os pensamentos. E aí também entrariam na conta: telefones, carros de som, caneta e papel... só que ainda assim, vejam só vocês, eu ainda quereria esquecer.


Mas hoje eu vim falar de um sonho...


Hoje, ignorando meus desejos e vontades, eu vim me desmentir.
(respira fundo)
(conta até 10)
(agora vai lá!)


Eu vou amar pra sempre a lembrança de nós dois.



E vou continuar sonhando com a época em que sonhos possam se tornar realidade... e que eu mereça ao menos um "bom dia" de quem tanto quis. Oops! Aquelas pessoas a quem me refiri no começo nunca lembram de dizer que não importa o que você faça, amor e merecimento nada têm a ver.


sexta-feira, 15 de maio de 2009

A petição inicial

I - Dos Fatos


Ainda quando criança, por razões pouco exploradas, desenvolvi o hábito de canalizar as impressões obtidas do mundo, da vida, do contato com pessoas, coisas e lugares. Às más impressões seguiam-se quase sempre rabiscos entalhados por doses infecundas de criatividade em pedaços de papel que o tempo cuidou de espalhar por aí. Já as boas impressões absorvidas, estas, quando surgiam, tornavam-se responsáveis por instantes de um breve êxtase, intenso e paralisante. Daí já se pode retirar uma primeira ilação: a felicidade - entendida aqui como a incidência de momentos aprazíveis - é plena! Prescinde de complementos ou ratificações. Existe em si e por si mesma. Independe de representação posterior. E o que há de externo e ostensivo naquilo que está feliz é próprio do contentamento que, por excelência, impõe-se transcendente. Mas sobre isso falaremos depois.


O hábito de que falamos há pouco intensificou-se sobremaneira na adolescência. O crescimento exponencial de escritos, por certo, deve ser atribuído ao insucesso cada vez mais freqüente no que tange ao contato com o sexo oposto, ainda que com foros de incipiência e, no mais das vezes, significando, isto sim, um contato cada vez menor, quando não inexistente. E este também é um assunto do qual nos ocuparemos mais tarde.
A maioridade, a universidade, a "cidade grande". Novidades que vieram a mim de uma só vez. Foi graças à universidade que eu aprendi que em função da maioridade recém alcançada já era penalmente imputável. A contribuição da maioridade, por seu turno, difícil de se perceber, sinto-a todos os dias. E o tamanho da cidade é medido pela distância entre os três ou quatro lugares a que vou regularmente. Portas bem maiores poderiam ter se aberto, reconheço.
Não muito dado a modismos, sempre fui um dos últimos a embarcar nas cristas das ondas, fossem elas quais fossem. Tal característica pessoal me manteve afastado por muito tempo de grande parte das comodidades ofertadas pelos corriqueiros avanços tecnológicos e ainda hoje contribui para uma defasagem que reputo irremediável. Nesse contexto, o uso de ferramentas da internet nunca foi recorrente. Isso explica um pouco da aversão demonstrada a cada ocasião na qual era interpelado por um amigo acerca do porquê de eu não ter um blog. "Ora, e eu sei lá o que é isso!?", retrucava. Ainda não sei bem, mas já descobri o suficiente para ficar revoltado: tem gente que ganha dinheiro com isso! Bem, esse definitivamente não é o meu caso. Aliás, consideradas todas as possibilidades e variantes, vou sair perdendo alguma coisa, se não dinheiro, tempo ao menos (o que dá no mesmo, certo?).
A universidade também me ensinou, é oportuno frisar, que o processo deve obediência ao princípio do contraditório. Talvez só por isto eu me permita dizer que a principal virtude de se conferir esse espaço em sede virtual reside em seu viés absolutamente democrático. Sob as mais variadas epígrafes, encontraremos "Blog do Fulano" e uma verdadeira coleção de asneiras, bem como "Blog do Beltrano" e um verdadeiro canal de prestação de serviços. E é essa a graça da coisa. A democracia só deixa de ser legal quando quem não votou no Lula, nunca, ainda assim, tem que dizer que é ele o presidente. É, pensando bem, essa nuance absolutamente democrática... sei não, sei não.
Aproveito o ensejo para agradecer sincera e profundamente a quem me deu todo o apoio logístico nessa empreitada. A você, Jéssica, minha mais nova amiga, a quem eu não canso de agradecer desde que conheci mais de perto, mais um muito obrigado.

II - Dos Fundamentos Jurídicos


Minha vivência enquanto estagiário do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas evidenciou suficientemente a desnecessidade dessa exposição. Ora, os juízes ou quem suas vezes estiverem fazendo, lêem apressadamente as laudas que encerram os fatos e - ávidos para se tornar os responsáveis por uma prestação jurisdicional célere (assim creio) - debruçam-se sobre os pedidos, no mais das vezes deferindo-os ou indeferindo-os ao sabor de seu estado de espírito, quando não orientados pela lacunosa formação técnico-jurídica de que padecem.


III - Dos Pedidos

Feitas essas breves considerações, aos raros que tiverem chegado ao fim, não custa nada requerer:
a) indiquem aos amigos;
b) continuem aparecendo;
c) comentem sempre que lhes parecer apropriado.