sexta-feira, 15 de maio de 2009

A petição inicial

I - Dos Fatos


Ainda quando criança, por razões pouco exploradas, desenvolvi o hábito de canalizar as impressões obtidas do mundo, da vida, do contato com pessoas, coisas e lugares. Às más impressões seguiam-se quase sempre rabiscos entalhados por doses infecundas de criatividade em pedaços de papel que o tempo cuidou de espalhar por aí. Já as boas impressões absorvidas, estas, quando surgiam, tornavam-se responsáveis por instantes de um breve êxtase, intenso e paralisante. Daí já se pode retirar uma primeira ilação: a felicidade - entendida aqui como a incidência de momentos aprazíveis - é plena! Prescinde de complementos ou ratificações. Existe em si e por si mesma. Independe de representação posterior. E o que há de externo e ostensivo naquilo que está feliz é próprio do contentamento que, por excelência, impõe-se transcendente. Mas sobre isso falaremos depois.


O hábito de que falamos há pouco intensificou-se sobremaneira na adolescência. O crescimento exponencial de escritos, por certo, deve ser atribuído ao insucesso cada vez mais freqüente no que tange ao contato com o sexo oposto, ainda que com foros de incipiência e, no mais das vezes, significando, isto sim, um contato cada vez menor, quando não inexistente. E este também é um assunto do qual nos ocuparemos mais tarde.
A maioridade, a universidade, a "cidade grande". Novidades que vieram a mim de uma só vez. Foi graças à universidade que eu aprendi que em função da maioridade recém alcançada já era penalmente imputável. A contribuição da maioridade, por seu turno, difícil de se perceber, sinto-a todos os dias. E o tamanho da cidade é medido pela distância entre os três ou quatro lugares a que vou regularmente. Portas bem maiores poderiam ter se aberto, reconheço.
Não muito dado a modismos, sempre fui um dos últimos a embarcar nas cristas das ondas, fossem elas quais fossem. Tal característica pessoal me manteve afastado por muito tempo de grande parte das comodidades ofertadas pelos corriqueiros avanços tecnológicos e ainda hoje contribui para uma defasagem que reputo irremediável. Nesse contexto, o uso de ferramentas da internet nunca foi recorrente. Isso explica um pouco da aversão demonstrada a cada ocasião na qual era interpelado por um amigo acerca do porquê de eu não ter um blog. "Ora, e eu sei lá o que é isso!?", retrucava. Ainda não sei bem, mas já descobri o suficiente para ficar revoltado: tem gente que ganha dinheiro com isso! Bem, esse definitivamente não é o meu caso. Aliás, consideradas todas as possibilidades e variantes, vou sair perdendo alguma coisa, se não dinheiro, tempo ao menos (o que dá no mesmo, certo?).
A universidade também me ensinou, é oportuno frisar, que o processo deve obediência ao princípio do contraditório. Talvez só por isto eu me permita dizer que a principal virtude de se conferir esse espaço em sede virtual reside em seu viés absolutamente democrático. Sob as mais variadas epígrafes, encontraremos "Blog do Fulano" e uma verdadeira coleção de asneiras, bem como "Blog do Beltrano" e um verdadeiro canal de prestação de serviços. E é essa a graça da coisa. A democracia só deixa de ser legal quando quem não votou no Lula, nunca, ainda assim, tem que dizer que é ele o presidente. É, pensando bem, essa nuance absolutamente democrática... sei não, sei não.
Aproveito o ensejo para agradecer sincera e profundamente a quem me deu todo o apoio logístico nessa empreitada. A você, Jéssica, minha mais nova amiga, a quem eu não canso de agradecer desde que conheci mais de perto, mais um muito obrigado.

II - Dos Fundamentos Jurídicos


Minha vivência enquanto estagiário do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas evidenciou suficientemente a desnecessidade dessa exposição. Ora, os juízes ou quem suas vezes estiverem fazendo, lêem apressadamente as laudas que encerram os fatos e - ávidos para se tornar os responsáveis por uma prestação jurisdicional célere (assim creio) - debruçam-se sobre os pedidos, no mais das vezes deferindo-os ou indeferindo-os ao sabor de seu estado de espírito, quando não orientados pela lacunosa formação técnico-jurídica de que padecem.


III - Dos Pedidos

Feitas essas breves considerações, aos raros que tiverem chegado ao fim, não custa nada requerer:
a) indiquem aos amigos;
b) continuem aparecendo;
c) comentem sempre que lhes parecer apropriado.

8 comentários:

  1. Não acredito em amor.


    Já assistiu "closer" ?


    Eu tb nao acreditava =\

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  2. Prefiro quando mentem para mim.

    nao entendi.

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  3. QUE FOFOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO,. ele agradeceu a mim

    iruuuuuuuuuuuuuuuuuuu

    hoje eu tinha acordado bem triste e estressada. Eu tb sou como vc, nao gosto de errar, mas ultimamente to aprendendo a tolerar os erros, tlv como forma de nao me deixar atingir pela frequencia que ocorrem.
    Ou tlv, para desviar o fato de que eu n sou forte o suficiente para nao errar, ou errar apenas quando n houver outra alternativa.

    Mas quando vim ver seu blogzinho, recém saíd do forno, eu fiquei alegre. Como todas as vezes que eu fico quando falo ou vejo vc =)
    Entao resolvi registrar graficamente o meu agradecimento.

    Eu sempre tive como objetivo ser uma pessoa melhor. Há um tempo eu tinha congelado esse objetivo, tinha até criado tolerancia, mas vc me fez ver o que há de importante.

    "Todos os dias quando acordo,
    Não tenho mais o tempo que passou
    Mas tenho muito tempo
    Temos todo o tempo do mundo.

    Todos os dias antes de dormir,
    Lembro e esqueço como foi o dia
    "Sempre em frente,
    Não temos tempo a perder".

    Temos nosso próprio tempo.

    Não tenho medo do escuro,
    Mas deixe as luzes acesas agora,
    O que foi escondido é o que se escondeu,
    E o que foi prometido,
    Ninguém prometeu.

    Nem foi tempo perdido;
    Somos tão jovens!"

    Eu penso tanto nisso; já conversei isso com vc.
    Espero que possamos crescer juntos.
    Mts vezes eu nao concordo com vc, outras vc n concorda comigo, mas o essencial é que mesmo que um ou outro n fale ou admita, a gente sempre sabe o que é certo e construtivo.

    Entao, obrigada e desculpa por qlq coisa.

    =D

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  4. é óbvio q eu apareceria... não só por meu prazer em ler blogs alheios, nem só por adorar tudo q tu escreves, mas, principalmente, por gostar demais de vc! e aq é um meio de saber como anda sua vida, vc... q eu espero q esteja bem! apesar da derrota do palmeiras... desprezou minha ajuda né?rs.

    tá a sua cara. inteligente. criativo. um tanto quanto melancólico. cheio das entrelinhas. voltarei logo...

    beijo, querido.
    Kal :)

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  5. Jéssica...
    não acredito em amor.
    Já assisti "closer".
    Ainda assim não acredito.

    O agradecimento expresso é mais do que merecido.

    bjo!

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  6. desprezei não, kal! esqueci mesmo...
    =/

    obrigado, você é sempre muito gentil.

    bjo.

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